Dor neuropática

A capacidade de sentir dor tem um papel protetor para os seres vivos, pois alerta-os para que tentem bloquear a causa da dor, fazendo com que as lesões sejam mínimas. Entretanto,  se a lesão ou sua causa for inevitável, uma série de alterações da excitabilidade dos nervos e do cérebro causam um estado profundo de dor e hipersensibilidade no local acometido e suas adjacências. A dor forte pode ser ou não vantajosa: enquanto não tão intensa, praticamente impede qualquer contato físico, facilitando a reparação da área lesada; por outro lado, quando as lesões nervosas são mais intensas, podem se desenvolver quadros dolorosos persistentes que não oferecem nenhuma vantagem, causando sofrimento e estresse aos portadores.

 

Conversando com seu médico

O médico é o único capaz de diagnosticar a origem exata da dor, mesmo se isto não for tão fácil no princípio e necessitar de uma profunda investigação. Na verdade, a dor neuropática pode ser provocada por quaisquer lesões nos nervos que percorrem o corpo (face, membros, tórax), por lesões na medula espinal ou até por lesões no cérebro. Por isso mesmo, apresenta sinais e sintomas distintos e que podem variar de intensidade com o tempo. Alguns exemplos mais conhecidos de dor neuropática ocorrem:

 

- Nos nervos da face, principalmente no nervo trigêmeo.
- Por traumas diretos na região por onde passam nervos.
- Por compressões de nervos da coluna causadas por hérnias de disco.
- Pelo vírus Herpes zoster.
- Em pacientes diabéticos.
- Em pacientes com abuso do álcool.
- Em pacientes com AIDS.
- Em casos de deficiência de vitaminas do complexo B.
- Em indivíduos com esclerose múltipla.
- Em indivíduos com Doença de Parkinson.
- Em indivíduos que sofreram um acidente vascular cerebral.

 

Existem diversos mecanismos que causam esse tipo de dor. Assim, ao mesmo tempo em que um mecanismo pode ser responsável por diferentes sintomas, o mesmo sintoma, em pacientes diferentes, pode ser causado por mecanismos diferentes.

 

Redobre sua atenção

A dor neuropática pode aparecer em diversas doenças, embora nem todos os pacientes sejam afetados e nem exista como prever quais deles irão desenvolvê-la. Uma das causas mais comuns de dor neuropática é a neuropatia diabética, uma das principais complicações que aparece com o tempo de evolução do diabetes, causada basicamente pela destruição progressiva das fibras nervosas. Sua prevalência ainda é incerta, variando de 13% a 47% em pacientes ambulatoriais e de 19% a 50%, em pacientes hospitalizados.

 

Em pacientes com diabetes tipo 1, a terapia com insulina está relacionada a uma diminuição na progressão da neuropatia diabética. Da mesma forma, o tratamento adequado de pacientes com diabetes tipo 2 também está relacionado à diminuição na incidência desse tipo de neuropatia.

 


Referências bibliográficas

1. Projeto Diretrizes AMB/CFM: Diabetes Mellitus: Neuropatia. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, Sociedade Brasileira de Reumatologia e Associação Médica Brasileira de Acupuntura, 2004.

2. Galvão ACR. Dor Neuropática e Tratamento com anticonvulsivantes. Instituto Simbidor.